A História da Animação Brasileira de 1917 à 2022 e os 100 Anos dos Desenhos

A primeira animação de curta metragem do Brasil

Em plena Guerra Mundial, surge no Brasil, em 1917, a primeira animação de curta metragem do país: KAISER, de Álvaro Marins. O curta-metragem fazia uma sátira ao imperador alemão que havia declarado guerra contra o Brasil. Eram outros tempos e o Brasil não agia com diplomacia como age nos dias atuais.
Pouco tempo depois da estreia do curta-metragem, o Brasil declara guerra à Alemanha e inicia sua participação na Primeira Guerra Mundial.
Do curta-metragem não sobrou nada. Somente anos depois é que encontram uma imagem fotograma dessa animação que ficou perdida no tempo.
Outros curtas surgiram depois de KAISER. Em 1929, Luiz Seel e João Stamato lançam o curta-metragem “Macaco Feio, Macaco Bonito”. A animação mostrava um zoológico, onde um macaco escapa da sua jaula e rouba a cena.

Os desafios dos artistas brasileiros

Na década de 30, o cartunista Luiz Sá (da revista O Tico Tico), se inspirou nas animações americanas para lançar seus próprios desenhos. Foram várias tentativas para por em prática os seus projetos com animações, entre eles: “Reco-Reco e Azeitona”, e “Aventuras de Virgulino”. Este último seria uma mistura de Mickey Mouse e o Gato Félix. Dizem que Luiz Sá pretendia ir aos Estados Unidos para apresentar pessoalmente os seus projetos ao Walt Disney. Mas devido a uma lei do governo Getúlio Vargas, os planos de Luiz Sá não saíram do papel, e seus projetos foram simplesmente esquecidos.
Os curtas-metragens nessa época ainda eram sem som e em preto e branco. Vários artistas eram autodidatas e desenvolviam técnicas para conseguir realizar a animação. Talentos não faltavam, projetos e sonhos também não. O Brasil tinha tudo para viver uma “Era de Ouro da Animação” naquele tempo, mas como sempre, a falta de incentivos e a enorme burocracia, foram suficientes para destruírem os sonhos desses talentosos brasileiros.

O primeiro longa-metragem de animação do Brasil

Anos depois, um corajoso brasileiro decidiu enfrentar todos os obstáculos para conseguir realizar o seu sonho. Em 1953, Anélio Latini Filho entraria para a história ao lançar o primeiro longa-metragem de animação do Brasil: “Sinfônia Amazônica”. Anélio fez sozinho cerca de 500.000 desenhos e desenvolveu técnicas de sonorização numa época em que o Brasil não tinha recursos nessa área. Foi um grande feito, mas poucas pessoas tiveram o conhecimento disso.

Os primeiros desenhos em cores do Brasil e os comerciais para a TV

Logo depois, em plena ditadura milita, o animador Ypê Nakashima lança em 1972 o primeiro longa-metragem de animação colorido do Brasil: Piconzé. Nessa década surge também o primeiro comercial da “Turma da Mônica”, mas somente em 1982 é que a turminha ganharia o seu primeiro longa-metragem.
Os anos 90, no Brasil, ficou conhecido como a década perdida. A produção de animação por longa-metragens ficou estagnada. Sem mercado, os animadores foram obrigados a deixar o cinema de lado e se dedicar a fazer animações para comerciais de TV. Foram várias as propagandas que marcaram a infância de muitas crianças dessa época.
Mas apesar de toda a estagnação de filmes da década de 90, um pequeno estúdio de animação estava prestes a quebrar o jejum, e fazer o Brasil ser o primeiro país a produzir um longa-metragem feito totalmente por computador.

A falta de reconhecimento da academia hollywoodiana

Em 1 de abril de 1996, estreava nos cinemas o filme “Cassiopéia” de Clóvis Vieira. O filme começou a ser produzido em 1992. Naquela época, os computadores tinham uma capacidade bastante inferior se comparado aos computadores atuais. Os softwares para animação em 3d eram caros e faltavam profissionais na área de computação gráfica. Esses problemas acabaram atrasando a produção de “Cassiopéia” e abriu espaço para um gigante do cinema passar a sua frente e ser consagrado no ramo da animação feita por computador. Isso gerou uma controvérsia entre os dois filmes. O motivo é que “Cassiopéia”, apesar de ser lançado seis meses após “Toy Story”, foi produzido inteiramente no computador, já com “Toy Story” foi diferente, os produtores aceleraram a produção do filme utilizando moldes dos personagens. Essa técnica é considerada por muitos como injusta ao título de primeiro longa animado feito totalmente pelo computador. Mas para a academia hollywoodiana, Toy Story é o único dono desse título. A falta de reconhecimento para com um filme brasileiro pioneiro em computação gráfica deixa uma imagem duvidosa sobre as decisões da academia. Outros pioneiros do cinema chegaram a receber vários prêmios por feitos menos importantes. 

Luz, Câmera, Ação!

A partir dos anos 2000 as coisas começaram a mudar e a animação no Brasil foi ganhando reconhecimento e respeito. Em 2001, o filme “O Grilo Feliz” foi lançado em vários países e o sucesso garantiu uma continuação em 2009. Mas o que mais ganhou força nesse novo século foram as animações para TV. Desde 2001, foram produzidos cerca de 30 animações de sucesso. Vários desenhos foram vendidos para o exterior. Entre as animações, estão “Peixonauta” e “O Irmão do Jorel”.

100 anos de animação

Em 2017 a animação brasileira completou 100 anos e nessa linha do tempo muita coisa aconteceu. O que podemos dizer hoje é que o Brasil amadureceu no mercado de animação. E agora, as oportunidades estão para todos os tipos de mídia. Em fevereiro de 2016, o Brasil foi indicado ao Oscar de melhor animação com o filme “O menino e o Mundo”. Essa foi a primeira vez que o país disputou um Oscar nesta categoria. Com o respeito conquistado e o reconhecimento obtido, podemos dizer que A Era de Ouro da animação brasileira está apenas começando.

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